domingo, 31 de março de 2013

Capriles ignora meios públicos e copia simbologia chavista

Comandando a campanha 'Simón Bolívar', Capriles imita Chávez, se apropria de termos da esquerda e recusa falar com meios públicos de comunicação.


Felipe Bianchi, de Caracas-Venezuela, com informações da TeleSur

A duas semanas da primeira eleição presidencial venezuelana sem Hugo Chávez, o candidato oposicionista Henrique Capriles tem demonstrado que sua estratégia política é a provocação. Desde a apropriação de símbolos e ideias de Chávez – seu comando de campanha se chama “Simón Bolívar” – até a negação em responder perguntas de meios de comunicação públicos, o candidato da direita tem se mostrado intransigente na tentativa de frear a Revolução Bolivariana e reinstaurar o neoliberalismo no país.

A pré-campanha de Capriles tem sido tão grosseira que os deputados suplentes da Assembleia Nacional Ricardo Sánchez, Carlos Vargas e Andrés Alvarez anunciaram a retirada de apoio ao candidato. Conforme publicado em comunicado, a justificativa do rompimento seria o fato de que “está se propiciando um clima de instabilidade e violência, cuja terrível e dolorosa consequência não querem reconhecer e que aprofunda a perversa divisão entre os venezuelanos”. Os deputados também afirmaram que a direita aponta para um plano de “não-reconhecimento dos resultados eleitorais de 14 de abril”.

Segundo William Castillo, presidente do canal estatal Venezolana de Televisión, Capriles recusou o convite para uma entrevista na emissora. “Os veículos públicos do país recebem a instrução de cobrir atos e coletivas de imprensa da oposição, ainda que esta os exclua de suas convocatórias e proíbam sua presença”, diz.

Ele ressalta que outros políticos antichavistas já foram entrevistados em diversas ocasiões. “Garantimos a Capriles que seria tratado com o respeito e a consideração que ele mesmo não teve conosco”, argumenta. Além de não responder os meios públicos em suas coletivas, o candidato da direita vetou a presença destes em várias ocasiões, relata Castillo.

O 'burguesito' evoca Bolívar

Capriles e a oposição batizaram sua campanha de Simón Bolívar, libertador latino-americano que estava praticamente esquecido na história venezuelana e que foi resgatado por Hugo Chávez. Contraditoriamente, como assinala Nehomar Ramírez, os que agora evocam a figura de Bolívar são os mesmos que, no golpe de Estado de 2002, decretaram a mudança do nome República Bolivariana da Venezuela, derrubaram a nova Constituição e retiraram, do Palácio de Miraflores, um simples quadro com a imagem do libertador.

Após Nicolás Maduro anunciar que sua campanha arrancará em Barinas, onde nasceu e cresceu Chávez, Capriles demorou apenas três dias para anunciar que fará o mesmo. Além disso, várias expressões típicas do ex-presidente Chávez também tem sido usurpadas pelo oposicionista, como o inacreditável “Somos filhos de Bolívar”. O “Todos somos Chávez”, por sua vez, virou “Capriles somos todos”. O “joelhos em terra”, que Chávez usava para convocar os patriotias do país, também foi mencionado pelo “Burguesito” (como o chama Nicolás Maduro).

No intento de parecer popular, Capriles tem cometido erros grosseiros desde o pleito de 2012: disse que comeu “suapara”, quando o nome do prato típico do interior do país era sapoara; afirmou que experimentou uma empanada "com carne adentro", quando era uma simples emapanada com o tradicionalíssimo recheio de carne; chamou o povoado de Coquivacoa de “Chivacoa” e errou expressões regionais (mollejero, em sua boca, tornou-se “mollejúo”). Os equívocos não foram perdoados nas redes sociais.

Até as “misiones”, programas que combinam reformas sociais com ação organizada das classes populares, foram lembradas pelo “ex-antichavista”. Em sua campanha, Capriles falou até em “investimentos sociais”, quando há poucos meses assegurava que eram "dádivas e presentes para que o povo se acostume a não trabalhar".

A data da eleição presidencial que definirá os rumos da Revolução Bolivariana também carrega simbologia à parte: em 14 de abril fará 11 anos que Chávez retornou ao Palácio de Miraflores após derrotar o golpe de Estado de 2002.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Venezuelanos respaldam sucessor de Chávez: "Assim que se governa"


Em dois dias, Nicolás Maduro reúne multidões em quatro cidades do país na pré-campanha para a eleição de 14 de abril.
Felipe Bianchi, de Caracas-Venezuela

Os venezuelanos começam a mobilizar-se para defender a Revolução Bolivariana na eleição de 14 de abril. Em dois dias, os populares lotaram quatro atos de preparação da campanha de Nicolás Maduro, atual presidente em exercício e sucessor de Hugo Chávez. Na quarta-feira (26) em Caracas e na quinta-feira (27) em três cidades da chamada parte “oriental” do país, milhares de venezuelanos encheram ruas e ginásios e assumiram um compromisso com o candidato: "Chávez, te juro, meu voto é por Maduro".

Venezuelanos garantem apoio à candidatura de Maduro. Foto: Prensa Miraflores

Na capital, o presidente visitou a região de Propatria. A chegada de sua comitiva, em carro aberto, foi marcada por uma enorme “escolta militante”: dezenas de motociclistas com camisetas vermelhas acompanharam a delegação presidencial até o palanque onde Maduro falaria, por cerca de duas horas, com seus militantes. Houve tempo até para a celebração e exibição do gol da “Vinho Tinto” - a seleção venezuelana enfrentava a Colômbia no mesmo horário, em jogo válido pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2014.

Chávez vive, la lucha sigue

Soldados recebem Maduro no aeroporto.
Foto: Felipe Bianchi/ComunicaSul
No dia seguinte, Maduro cumpriu agenda em três outros estados: primeiro, visitou Maturín, em Monagas; depois, viajou até Cumaná, em Sucre; ao fim do dia, esteve em Isla Margarita, na região de Nueva Esparta. Em todas as cidades a comitiva presidencial foi recebida com festa da população e com a saudação dos soldados das Forças Armadas venezuelanas: “Chávez vive, la lucha sigue. Independencia y patria socialista”.

Em meio à multidão que se aglomerava em cada cidade, funcionários da presidência recolheram, em grandes mochilas verde-oliva, centenas de cartas, mensagens e pastas entregues pelos cidadãos. Segundo a equipe de Maduro, desde o Governo Chávez tornou-se um costume que as pessoas escrevam seus anseios, sugiram projetos e relatem seus problemas diretamente para os governantes.

Em seu discurso, além de garantir a continuidade do programa chavista, o presidente também criticou a postura do candidato oposicionista Henrique Capriles. “Ele está obcecado comigo. Em seus discursos, só se ouve falar de mim. Nicolás, Nicolás, Nicolás”, disse. Em resposta, os milhares de presentes repetiam o primeiro nome de Maduro, satirizando o representante da direita. “A obsessão dele tem uma razão: sou filho de Chávez”, afirma.

Ainda sobre seu principal oponente na eleição de 14 de abril, o presidente afirmou que “Capriles é financiado pelos imperialistas, odeia os pobres e odiou Chávez até seu último suspiro de vida”. O “Burguesito”, apelido que Maduro utiliza para se referir a Capriles, “representa o interesse das oligarquias", mas assegurou que "não voltarão a mandar no país".

Maturín e o condutor de ônibus

Na capital do estado de Monaga, Maduro retornou às raízes ao conduzir o ônibus de sua delegação até o local no qual os militantes o aguardavam - por sete anos o presidente trabalhou em tal profissão. Enquanto guiava, era abordado nas ruas  e obrigado a frear constantemente para acenar ao povo que o saudava.

Maduro conduz ônibus com a comitiva presidencial.
Foto: Prensa Miraflores

Entre declaracões - coletivas e extasiadas - de amor a Chávez, Maduro convoca a massa para o plano do “1x10”: cada militante chavista tem a missão de conquistar 10 outros votos. A ambiciosa meta do candidato é alcançar 10 milhões no dia do pleito. “14 de abril será um dia de insurreição popular, eleitoral e pacífica”, brada.

De novo evocando a figura do “Burguesito”, o presidente debocha da ligação que Capriles tem com o capitalismo e o imperialismo estadunidense. “Ele vive falando em Manhattan, Central Park, Nova Iorque... mas aqui é Maturín, meus amigos”.

Em Sucre, Maduro relembra Simón Bolívar

Em pleno dia do Nazareno de São Paulo, a quem os fiéis pagam promessas e cumprem tradicional procissão, o ginásio municipal de Cumaná também teve lotação máxima para o ato de Maduro. O presidente, que havia deixado Maturín muito suado pelo calor que fazia na cidade, volta ao palanque esbanjando bom humor e energia.

Populares cantam o hino da Venezuela.
Foto: Felipe Bianchi/ComunicaSul
Desta vez, Maduro recorda e reforça o sonho de Bolívar e Chávez em construir uma Pátria Grande latino-americana. “Da Patagonia, lá no sul do continente, até Quito, Lima e Potosí, não esqueçamos que nossa luta é em toda a América”. 

Ele ainda questiona a multidão quanto ao que esperam dos rumos do país nos próximos seis anos de governo: “Socialismo ou capitalismo?”, “Pátria ou imperialismo?”, “Independência ou submissão?” e, por fim, “Chávez ou o Burguesito?”. Todas as perguntas, claro, prontamente respondidas por uma eufórica massa composta de militantes partidários e cidadãos comuns com os olhos cheios de lágrimas.

Isla Margarita: turismo, esporte, segurança e economia 

No começo da noite, Maduro e sua comitiva chegaram ao aeroporto de Isla Margarita, uma das ilhas que compõem o estado de Nueva Esparta, e se dirigiram para a cidade de La Asunción. Conforme as informações divulgadas pela organização do ato, cerca de 7.700 pessoas compareceram ao ginásio dos Guaiqueríes de Margarita, tradicional equipe de basquete do país. 

Maduro fez menção ao time e leu em voz alta todos os seus títulos, estampados em bandeiras nas paredes do ginásio, assim como o nome de ídolos dos Guaiqueríes. Um deles, Cruz Lairet, estava nas arquibancadas e se dirigiu ao palanque de Maduro, a pedido dos presentes.

Cruz Lairet e Nicolás Maduro.
Foto: Prensa Miraflores
Após cumprimentar o presidente, o ex-atleta relembrou sua história e declarou apoio ao sucessor de Hugo Chávez. “Me orgulho muito de eu e meu irmão termos feito história na equipe, já que viemos de uma família humilde. Mas me orgulho ainda mais de Chávez, que tem transformado a Venezuela em uma potência esportiva”, disse o ídolo local.

À véspera do feriado de Semana Santa, Maduro destacou a alta procura por hotéis no país como rechaço à tese de que a economia vai mal. “80% dos hotéis estão lotados hoje e amanhã, quando começa o feriado, a previsão é de que o número suba para 95%”, comenta. “Há fila para se hospedar e ainda dizem que estamos quebrados!”. O candidato também argumenta que “pela primeira vez na história da Venezuela, o povo pode fazer turismo e conhecer seu próprio país”.

Presidente saúda venezuelanos; atrás, imagem de Chávez.
Foto: Prensa Miraflores
Quanto à segurança, um dos temas mais discutidos nas pré-campanhas eleitorais, Maduro rebate as críticas da oposição. “Qual alternativa eles defendem? Reprimir e agredir o povo? Não é a solução”, avalia. “Queremos resolver o problema por meio de políticas sociais e não de máfias policiais”.

O povo manda seu recado

Com um estilo próprio, o condutor de ônibus e presidente do país demonstrou, nos quatro atos, que conta com apoio massivo para levar adiante o processo revolucionário comandado por Chávez. Os muros de Caracas, Maturín, Cumaná e Isla Margarita transbordam de mensagens de amor ao ex-presidente e de confiança em seu sucessor. 

Nas quatro cidades, inclusive, foi possível escutar um grito em comum, revelador da avaliação que as classes populares fazem do trabalho de Chávez e Maduro e que respalda, por seis anos mais, a Revolução Bolivariana: “Así, así, así que se gobierna”.


quinta-feira, 28 de março de 2013

Boletim ComunicaSul: Como funciona a eleição na Venezuela?

A vice-presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela, Sandra Oblitas, explica como funciona o sistema de voto no país. A Venezuela se prepara para a eleição de 14 de abril, que utilizará o mesmo modelo do pleito de outubro de 2012, na qual Hugo Chávez foi reeleito. 

De acordo com o CNE, o sistema venezuelano é um dos mais seguros do mundo, garantindo precisão técnica e privacidade absoluta. A eleição do chamado "14-A" será a primeira após o falecimento de Chávez e definirá os rumos da Revolução Bolivariana.


terça-feira, 26 de março de 2013

Maduro assume legado de Chávez: '14 de abril será o dia da ressurreição'


Em debate internacional, o candidato, fala sobre o luto por Chávez, critica a mídia e assume o compromisso de tornar irreversíveis as conquistas do povo venezuelano.

Felipe Bianchi, de Caracas-Venezuela

Teve início nesta segunda-feira (25), em Caracas, o X Encontro Internacional "Plano da Pátria: pensamento e ação de Hugo Chávez Frías". O evento contou com a participação de Nicolás Maduro, presidente em exercício desde o falecimento de Chávez e candidato à eleição de 14 de abril, além de diversas personalidades políticas, intelectuais e artísticas.  Álvaro García Linera, vice-presidente da Bolívia, também marcou presença.
Foto: Vinicius Mansur/ComunicaSul
Maduro comandou o Diálogo Bolivariano – uma roda de debate sobre o legado de Chávez e os rumos da Venezuela. De acordo com ele, o Plano da Pátria (programa de governo bolivariano) é “o testamento político do Comandante Hugo Chávez e o projeto mais importante da história do país, pois aponta todos os caminhos, os anseios e as lutas que unem os partidos e coletivos que apoiam o processo revolucionário”.

Maduro abriu a discussão com uma reflexão sobre a herança política que Chávez deixou à Venezuela: “O primeiro grande símbolo do legado de Chávez é sua rebeldia contra os poderes dominantes. Ele foi um comandante de rebelião permanente contra a dominação capitalista e imperialista”.

O Comandante, afirma Maduro, logrou resgatar o pensamento original, puro e transparente de Simon Bolívar. “Chávez o tirou do Panteón (onde descansam seus restos mortais) e o converteu em um homem e uma mulher das ruas. Ele também recuperou o conceito de união da nossa América, que vai além da integração, pois recria e refunda o continente. Desde o Chávez cristão, reivindicador de raíz indígena, admirador dos libertadores do continente, começou a se desenhar um projeto para o socialismo do século XXI. Este é seu legado”.
Foto: Felipe Bianchi/ComunicaSul
Na avaliação de Maduro, Chávez agregou, ao longo de sua trajetória, “o melhor e o mais avançado” da esquerda mundial. “Foi um patriota, um nacionalista, um humanista e militante do pensamento revolucionário de nosso século. Mais que isso, Chávez é um profundo democratizador da vida política venezuelana: trouxe o debate à sociedade de forma a criar poder popular, sob um modelo de democracia participativa na qual o povo é protagonista”.

O candidato faz questão de ressaltar o caráter anti-imperialista da Revolução Bolivariana. “Este é um processo democrático, popular e pacífico, mas essencialmente anti-imperialista. A Venezuela vai se separando cada vez mais dos mecanismos de dominação e é inevitável que levantemos a bandeira do anti-imperialismo em nosso continente e em defesa da soberania dos povos".

Quanto aos rumos da Revolução Bolivariana, Maduro argumenta que é necessário seguir em frente e, de acordo com os próprios pontos estabelecidos no programa de governo, tornar os avanços irreversíveis. “Penso que chegou o momento de levantarmos, ainda mais alto, a bandeira do socialismo, que é a única forma de triunfarmos. Temos que aprofundar a superação do capitalismo e garantir que as conquistas de nosso povo sejam consolidadas, para que as transformações sejam irreversíveis”.

Mídia e o luto por Chávez

Maduro definiu a perda de Chávez como um “golpe demolidor à vida da Venezuela e na alma de toda a gente”. Ele destacou as manifestações solidárias de todos os governos e grupos políticos que enfrentaram, ao lado do povo venezuelano, os difíceis dias de luto, mas mandou um recado à oposição, em especial aos grandes meios de comunicação do país: “A agressiva oposição midiática, que acusa a Revolução Bolivariana de estar dividida e desesperada, prova sua decadência moral ao desrespeitar a batalha de Chávez pela vida”.

Na opinião de Maduro, os grandes grupos midiáticos promovem uma “guerra ideológica” contra Hugo Chávez e o processo revolucionário do país. “Estão furiosos porque não conseguiram detê-lo. Não derrotaram sua bandeira de independência, do socialismo do século XXI. O que interessa, no entanto, é que nós, defensores da humanidade e da paz, continuamos leais uns aos outros e aos ideais do Comandante”.

Maduro ainda faz um alerta aos que conspiram contra o processo venezuelano. “Muitos creem que a revolução chegou ao seu fim e está em uma fase de desespero. Nós dizemos, aos inimigos de nossa pátria, especialmente à elite estadunidense: nosso povo não vai abandonar jamais essa revolução. Nem que nos custe radicalizar nossos métodos, frente às ofensivas do império, na busca incessante pelo respeito à soberania de nossos povos”.

O vice-presidente boliviano Álvaro García Linera lembrou que, durante a Revolução Bolivariana, seu país acompanhou a Venezuela nos bons e maus momentos. “Chávez inaugurou uma nova era no continente. Os pobres de todo o mundo, e não apenas da Venezuela, choraram sua morte. Chávez é quem irradia os primeiros raios de sol que anunciam o fim da longa noite neoliberal a qual nosso continente foi submetido”.

Linera ainda reforçou o apoio boliviano à continuidade do processo inaugurado por Chávez. “Não há revolução que se sustente se não avança. As forças conservadoras e dominantes sempre se adaptam à nova realidade para retomar sua posição, então não podemos nos deter. O que Chávez nos ensinou é que, em tempos de guerra e, principalmente, de gestão, temos que ter audácia e seguir sempre em frente”.

Chamado ao 14 de abril

Foto: Felipe Bianchi/ComunicaSul
Em relação às eleições de 14 de abril, que definirá os rumos da Revolução Bolivariana, Maduro reafirmou a importância de um processo acima de tudo democrático. “Em nosso país todos têm espaço na política, seja nas prefeituras, nos ministérios, no governo. Mas não queiram tomar o poder de outra forma, porque iremos defender nossas conquistas com a Constituição democrática e pacífica debaixo dos braços. Não tomem um caminho sem volta”, avisa.

Por fim, o candidato convida todos os amigos da Venezuela para o “dia de batalha e vitória” no qual se elegerá o primeiro presidente do país após o falecimento de Chávez. “Este 14 de abril para nós, é o dia da ressurreição. 11 anos atrás, em 14 de abril de 2002, Chávez retornou de helicóptero ao Palácio Presidencial de Miraflores, após derrotar os golpistas. 11 anos depois, nosso povo escreverá mais uma página bonita desta história. Não falharemos com nosso Comandante”, disse.

Os cinco objetivos do Plan de la Patria

O X Encontro Internacional, que vai até a terça-feira (26), é promovido pela Rede de Intelectuais, Artistas e Lutadores Em Defesa da Humanidade, com a proposta de debater os horizontes da Venezuela segundo o programa de governo bolivariano.

O evento conta com cinco grupos de trabalho, formados por diversos pensadores internacionais a partir dos cinco objetivos do Plano da Pátria para a gestão Bolivariana 2013-2019. São eles: Defender e consolidar a independência; Continuar a construção do socialismo do século 21; Converter a Venezuela em potência latinoamericana e caribenha; Nova Geopolítica internacional que conduza a um mundo multicêntrico e pluripolar; e Contribuir com a preservação da vida no planeta e à salvação da espécie humana. No segundo dia de encontro acontece a plenária final e a cerimonia de encerramento do debate.

Organização LGBTT venezuelana anuncia apoio a Nicolás Maduro



ASGDR destaca avanços e desafios de sua pauta dentro da Revolução Bolivariana e aposta em Nicolás Maduro para ativar os três “Rs”: revisão, retificação e ‘reimpulso’ do legado deixado por Hugo Chávez. Maduro enfrentará o opositor Capriles Radonski no dia 14 de abril.

Caracas – A organização Aliança Sexo-Gênero Diversa Revolucionária (ASGDR) convocou uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira (25) para anunciar seu apoio à campanha do candidato chavista na eleição presidencial venezuelana, Nicolás Maduro. O pleito ocorre em 14 de abril.

Em comunicado oficial, o coletivo diz apoiar Maduro porque o tema da diversidade de sexo e gênero está incluída dentro de seu o projeto de governo, o Plano da Pátria, nos objetivos 2.3.1, 2.3.4.3 e 5.3.3.2, ao contrário, do plano do candidato opositor Capriles Radonski, no qual a palavra “diversidade” só aparece três vezes, referindo-se a diversidade econômica e territorial.

O representante da ASGDR, Simon Urtado, também enfatizou que o apoio não se dá somente por um candidato “que nos ofereça a nossa pauta, mas por todo um projeto” e que “a diversidade sexual é parte do socialismo”. O comunicado da ASGDR afirma que “antes de sermos ‘maricon@s’ somos gente pobre, explorada e espoliada por nossa classe social” e que “a paz que precisamos para exercer nossa diversidade só é possível com um governo anti-imperialista”.

Nas últimas semanas, a oposição criticou Maduro por dar declarações insinuando que Capriles era homossexual. O candidato chavista rebateu e disse que suas declarações estão sendo manipuladas para transformá-lo em homofóbico. A ASGDR acusou jornais privados de utilizarem, no dia 15 de março, fotos de antigas de concentrações do movimento para forjar protestos contra Maduro.

Urtado chamou Capriles de cínico por tentar se apropriar das bandeiras LGBTT. “Indiferentemente das preferências sexuais do candidato opositor, que não é um tema relevante, ele nem em suas campanhas para ser prefeito de Baruta, governador de Miranda, nem nas derrotas presidenciais, fez qualquer proposta para combater a homofobia”, disse, agregando que, apesar da dívida com as pessoas não-heterossexuais existente na Venezuela, “durante os 14 anos de revolução se aprovaram mais leis e se deram mais avanços de reconhecimento da diversidade sexual e de gênero que em toda história” do país.

Maria Gabriela Blanco, também integrante da ASGDR, destacou que durante o governo Chávez o combate à discriminação por orientação sexual e identidade de gênero formaram parte da Lei do Poder Popular, da Lei do Trabalho, da Lei do Arrendamento e do Código Civil, que em seu artigo 146 permite a troca de nome por uma vez aos transgêneros e transexuais. Entretanto, ela destacou que a posição da organização é um chamado a Maduro a ativar os três “Rs”: revisão, retificação e ‘reimpulso’ do legado deixado por Hugo Chávez. “Não é só importante o apoio das leis, mas a conscientização. A lei permite a mudança de nome, mas o os funcionários às vezes não deixam os transexuais fazerem a mudança”, criticou.

Segundo Blanco, a Revolução Bolivariana permitiu que a pauta LGBTT deixasse de ser um tabu em diversos movimentos sociais, a partir de inúmeros espaços de formação, e também nos meios de comunicação. “Tivemos um programa de televisão aonde se falava sem problemas em horário matutino sobre a diversidade sexual, feminismo, o tema da mulher e seu corpo, na Ávila TV [integrante do Sistema Nacional de Meios Públicos]. Agora temos na Rádio Nacional da Venezuela um programa que chama “Diversos, não perversos” e conta com 2 horas, as vezes 3, a nível nacional”, relatou.

Apesar da ASGDR não descartar a importância das mudanças legais, como a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo para a conquista de outros direitos civis, Blanco disse que o principal desafio é a mudança de consciência: “Queremos mudar o sistema educativo. O matrimonio é importante, para nós é muito mais importante a transformação educativa, porque ainda há muita discriminação.” 

Fotos: Vinicius Mansur

sexta-feira, 22 de março de 2013

ComunicaSul volta à Venezuela para cobrir novas eleições

O ComunicaSul cobrirá a eleição presidencial da Venezuela, marcada para o dia 14 de abril e que definirá os rumos da Revolução Bolivariana, levada a cabo pelo presidente recentemente falecido Hugo Chávez. A proposta do coletivo, formado por veículos da mídia alternativa brasileira, é fazer um contraponto informativo em relação à grande mídia latino-americana, que atua como oposição sistemática aos governos progressistas da região.

A cobertura terá início nesta segunda-feira (22) e se estenderá até o final do processo eleitoral. A equipe será formada pelos jornalistas Vinicius Mansur (Carta Maior), Felipe Bianchi (Barão de Itararé), Renata Mielli (Barão de Itararé), Jônatas Campos (Brasil de Fato), Leonardo Severo (CUT e Hora do Povo) e Vanessa Silva (Vermelho). A missão do grupo é buscar informações "direto da fonte", sem dependência das agências internacionais e dos grandes conglomerados de comunicação, retratando a Venezuela sob uma perspectiva popular. 

Com a ideia de diversificar e pluralizar o ambiente informativo brasileiro, o coletivo tem atuado em diversos eventos políticos e midiáticos no continente, como a própria eleição venezuelana em outubro de 2012, que reelegeu o presidente Chávez e elegeu o vice-presidente Nicolás Maduro, que agora concorre à presidência. O grupo também reportou a luta pela democratização da comunicação na Argentina, no emblemático 7 de dezembro do ano passado (7D) e, mais recentemente, em fevereiro de 2013, trabalhou na cobertura da reeleição de Rafael Correa, no Equador.

Todo o conteúdo produzido é publicado no blog (www.comunicasul.blogspot.com) e a reprodução é livre para sites, blogs, jornais e revistas que tenham interesse no tema, desde que citada a fonte e conferidos os créditos. Desde já, o ComunicaSul conta com a parceria de veículos de comunicação no Brasil para reproduzir o conteúdo que será gerado a partir de Caracas, entre os dias 25 de março e 21 de abril.

Relembre as coberturas realizadas pelo ComunicaSul




terça-feira, 19 de março de 2013

Um espião indiscreto contra Chávez


A Agência Pública segue o rastro de um espião machista e temperamental enviado pela USAID para distibuir dinheiro à oposição venezuelana e dividir o chavismo. Por Natalia Viana.