segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Os crimes antissindicais do narcoestado peruano

Direitistas disputam na submissão aos interesses externos

Leonardo Wexell Severo, de Lima-Peru

Passada a sangrenta ditadura de Alberto Fujimori e o estelionato eleitoral de Ollanta Humala, o povo peruano enfrenta agora o desgoverno de Pedro Pablo Kuczynski (PPK) e um parlamento corrupto, controlado pelo narco-fascismo fujimorista. Uma feroz disputa entre direitistas para ver quem é mais submisso ao sistema financeiro e aos cartéis estrangeiros; que se empenham na implantação da política neoliberal de desmonte do Estado, via ajuste fiscal, concessões-privatizações e reformas trabalhista e previdenciária.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Tribunal corrige injustiça e absolve Raquel Villalba por pretenso “crime” de Curuguaty

Leonardo Wexel Severo, Observador Internacional do caso Curuguaty
Após 4 anos, justiça foi feita para Raquel Villalba
O Tribunal de Sentenças de Salto de Guairá, no Paraguai, decidiu na última quinta-feira pela libertação de Raquel Villalba, de 19 anos, injustamente acusada pelos delitos de “invasão de imóvel alheio” e “associação criminosa” – na qualidade de autora – e “tentativa de homicídio” – na qualidade de cúmplice - no caso de Marina Kue, em Curuguaty. Pré-julgada pela “justiça” e pela mídia paraguaia, ela vinha sendo mantida há quatro anos sob custódia policial. A defesa exigiu - e garantiu - a anulação do processo ao comprovar que o Ministério Público não adotou duas medidas obrigatórias determinadas pelo Código da Criança e do Adolescente, como a avaliação psicológica e psicossocial da jovem no momento dos fatos.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Assassinato de 8 soldados busca encobrir corrupção no alto mando militar paraguaio

Familiares denunciam crime como armação de Cartes
Leonardo Wexell Severo

A morte de oito soldados ocorrida sábado (27) em um atentado à bomba contra o caminhão em que se deslocavam no interior de Arroyito, em Concepção, cerca de 500 quilômetros ao norte de Assunção, caiu como uma luva para desviar a atenção dos escândalos que abalam o alto mando militar do Paraguai.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Protesto contra sindicalização e pela privatização dos minérios gera 4 mortos na Bolívia

Sob a fachada de "cooperativas", empresas forçaram confronto
Ministro do Interior, Rodolfo Illanes foi sequestrado e torturado até a morte por empresários que se faziam passar por sindicalistas

Leonardo Wexell Severo

"Eram empresas camufladas de cooperativas mineiras”, afirmou o presidente da Bolívia, Evo Morales, denunciando os responsáveis pelo confronto que custou a vida de quatro pessoas, entre elas três mineiros e o vice-ministro do Interior, Rodolfo Illanes, seqüestrado e torturado até a morte na última quinta-feira (25).  Evo alertou que empresas privadas e algumas cooperativas mineiras “enganadas por alguns dirigentes” chegaram a obrigar trabalhadores eventuais a mobilizarem-se para defender as reivindicações pessoais de lideranças. “O governo nacional derrotou um golpe de Estado. Há documentos que dizem textualmente que a ação era para derrubar o governo”, frisou.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Milhares de paraguaios defendem renúncia de Cartes e anulação do caso Curuguaty

Multidão marchou pelo centro da capital para exigir justiça para os camponeses presos políticos de Horacio Cartes

"Nâo queremos e não permitiremos que um narco-presidente oprima nossa gente", entoou a multidão, exigindo liberdade para os sem-terra

Leonardo Wexell Severo, de Assunção

Uma multidão tomou as ruas de Assunção nesta segunda-feira (15), data em que aniversaria a capital paraguaia, para defender “a imediata anulação do julgamento dos camponeses de Curuguaty e a renúncia do presidente Horacio Cartes”.Portando bandeiras paraguaias, faixas e cartazes, trabalhadores do campo e da cidade, estudantes, mulheres e indígenas se concentraram em frente ao Tribunal de Justiça - onde desde a decretação da sentença do caso Curuguaty, há um mês, foi erguida a “Barraca da Resistência” - para exigir a libertação dos sem-terra condenados a até 35 anos de prisão.

sábado, 13 de agosto de 2016

“Alvo do massacre de Curuguaty sempre foi a reforma agrária”

Rubén: Confiança na vitória da luta pela verdade e a justiça

Denuncia Rubén Villalba, sem-terra paraguaio condenado a 35 anos de prisão


Leonardo Wexell Severo, de Assunção

“O alvo do massacre de Curuguaty, em que morreram 11 companheiros camponeses e seis compatriotas policiais, sempre foi a reforma agrária. Como se viu e ouviu nos depoimentos, nas provas apresentadas pelos nossos advogados, foi uma ação planejada com o objetivo claro de matar. Daí a selvageria e a desproporção de forças utilizada contra nós. 230 policiais, com helicóptero e armas automáticas sofisticadas chegaram no acampamento onde estávamos 37 pessoas para fazer uma ‘averiguação’ sem apresentar qualquer documento. Franco-atiradores abriram fogo e se efetivou um despejo em favor da família Riquelme, vinculada à ditadura de Stroessner, que nunca foi dona daqueles dois mil hectares de terra. Com o sangue de inocentes falsificaram a história e derrubaram o governo de Fernando Lugo uma semana depois daquele 15 de junho de 2012. Transformando vítimas em culpados, querem que sirvamos de exemplo para todos aqueles que ousarem colocar em xeque o poder do latifúndio, da oligarquia e das transnacionais”. 

segunda-feira, 18 de julho de 2016

"Curuguaty, carnificina para um golpe" denuncia manipulação do massacre

Renomado escritor paraguaio defende absolvição dos camponeses de Curuguaty
Guido Rodríguez Alcalá

O caso Curuguaty tem chamado atenção internacionalmente. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) pediu explicações ao governo paraguaio, que deve dá-las como signatário do Tratado de Costa Rica. Vários pesquisadores estrangeiros vêm acompanhando o caso; entre eles, o brasileiro Leonardo Wexell Severo, autor do livro Curuguaty: Carnificina para um golpe (São Paulo: Papiro, 2016). A obra, apresentada na sede local da CUT-A (Central Unitária de Trabalhadores Autêntica) em Assunção, circula em nosso país, com boa recepção. Para quem fala castelhano, mesmo sem haver estudado o português, a compreensão se vê facilitada porque se trata de fatos conhecidos e Severo, excelente jornalista, escreve para ser compreendido pelo grande público.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

“Curuguaty, carnificina para um golpe” é lançado no Encontro Pedagógico Latino-americano em MG

Educadores defenderam "Absolvição, já" para os camponeses paraguaios presos políticos do governo de Horacio Cartes

ComunicaSul
Com a temática “Educação Pública, Democracia e Resistências”, mais de 500 educadores das redes estadual e municipais de Minas Gerais e lideranças docentes do Brasil, Honduras, Argentina, Paraguai, Venezuela e México, participaram nas últimas quinta e sexta-feira, em Belo Horizonte, do Encontro Pedagógico Latino-americano.

Encontro Pedagógico Latino-Americano denuncia governo mexicano

José Ojida, professor de Oaxaca, dá seu testemunho. Foto: Lidyane Ponciano

Educadores denunciam crimes contra a educação, a democracia e a soberania

Leonardo Wexell Severo

Os desmandos e atropelos do governo de Peña Nieto “contra a educação, a democracia e a soberania” foram denunciados por duas expoentes lideranças do magistério mexicano presentes ao Encontro Pedagógico Latino-Americano, realizado em Belo Horizonte nas últimas quinta e sexta-feira.
A professora doutora Gabriela Vasquez, do programa de pós-graduação de estudos latino-americanos e o professor José Antônio Altamirano Ojida, de Oaxaca, membro da Coordenação Nacional dos Trabalhadores da Educação do México, dialogaram por duas horas com mais de 500 educadores sobre “a catástrofe que o governo neoliberal vem implementando” em seu país. Integram o festival de atrocidades os 43 estudantes desaparecidos em Guerrero em 2014, e os 12 manifestantes mortos e mais de 150 feridos recentemente pela polícia em “confronto” com os professores de Oaxaca.

domingo, 3 de julho de 2016

“Curuguaty, carnificina para um golpe” é lançado em Assunção e Foz do Iguaçu

Debate na Unila: solidariedade latino-americana à flor da pele
O livro Curuguaty, carnificina para um golpe, de Leonardo Severo, redator-especial da Hora do Povo, assessor da CUT e observador internacional no Tribunal de Sentenças de Assunção, foi lançado na capital paraguaia, na última terça e quarta-feiras, na Central Unitária dos Trabalhadores Autêntica (CUT-A) do Paraguai e na Universidade Nacional (UNA). Dezenas de lideranças religiosas, sindicais, estudantis, do movimento feminino, indígena e de solidariedade aos presos políticos paraguaios somaram suas vozes, fortalecendo o movimento pela Absolvição, já. Na quinta-feira o debate sobre a obra aconteceu na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), com a participação do professor argentino Pablo Friggieri, diretor do Instituto Latino-americano de Economia, Sociedade e Política (Ilaesp).

quarta-feira, 15 de junho de 2016

15 de junho: 4 anos da carnificina de Curuguaty

Livro denuncia que massacre abriu caminho ao golpe no Paraguai


Lançamento do livro na livraria Martins Fontes da Paulista
Nesta quarta-feira, 15 de junho, completam-se quatro anos do massacre de Curuguaty, no Paraguai, onde morreram 17 pessoas - seis policiais e 11 camponeses – armação que abriu espaço à derrubada do presidente Fernando Lugo uma semana depois. O “confronto” envolveu 324 policiais, tropas de elite treinadas pela CIA e pelo exército dos EUA fortemente armadas com fuzis, bombas de gás, capacetes, escudos, cavalos e até helicóptero e 60 trabalhadores sem-terra, metade deles mulheres, crianças e anciãos.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

“Curuguaty – carnificina para um golpe” será lançado em junho

Livro defende a absolvição imediata dos sem-terra presos políticos do Paraguai

No próximo mês de junho, quatro anos de solidariedade aos sem-terra presos políticos de Marina Kue, em Curuguaty, no Paraguai, vão virar livro. “Curuguaty - carnificina para um golpe”, do jornalista Leonardo Severo (Editora Papiro, 212 páginas), retrata a resistência dos movimentos sociais da pátria Guarani para fazer valer os direitos dos camponeses - com a efetivação da reforma agrária e a mobilização das entidades populares, do país e de todo o mundo – a fim de garantir a sua absolvição.

Nas terras paraguaias de Marina Kue, Curuguaty, no dia 15 de junho de 2012, foram mortas 17 pessoas - seis policiais e 11 camponeses. O “confronto” envolveu 324 policiais, tropas de elite treinadas pela CIA e pelo exército dos EUA fortemente armadas com fuzis, bombas de gás, capacetes, escudos, cavalos e até helicóptero. Do outro lado, 60 trabalhadores sem-terra, metade deles mulheres, crianças e anciãos. O sangue derramado, vertido para as manchetes dos jornais e emissoras de rádio e televisão, inundou o imaginário coletivo de mentiras, como a de que a tropa teria sido “emboscada” e de que os camponeses não ocupavam organizadamente uma terra pública, mas formavam uma força “terrorista” que buscava tomar uma “propriedade particular”. Manipulada pela oposição, a mortandade levou à cassação do presidente Fernando Lugo uma semana depois.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Fogo em petroquímica privatizada mata 32 trabalhadores no México

O número de trabalhadores mortos anunciado na explosão da refinaria de Pajaritos, em Coatzacoalcos, Veracruz, operada pela empresa Petroquímica Mexicana de Vinil, chegou a 32, na última quarta-feira. Também ficaram feridos na explosão do dia 20 mais de 160 - 13 em estado grave – além dos desaparecidos.
Leonardo Wexell Severo

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Os narcotraficantes e a matança dos sem-terra de Marina Kue

Plantação de 40 hectares de drogas encontradas próximo a Marina Kue
Leonardo Wexell Severo, de Assunção-Paraguai

Com passo firme e olhar determinado, o jornalista argentino José Maria Quevedo entrou na sala do Tribunal de Sentenças do Palácio de Justiça de Assunção, no dia 15 de abril, para dar seu testemunho sobre o massacre de Curuguaty. Participante do minucioso levantamento realizado pela Plataforma de Estudo e Investigação de Conflitos Camponeses (PEICC), o jornalista se dirigiu ao local do massacre onde colheu durante meses inúmeros depoimentos, montando o quebra-cabeça e calcificando convicções sobre a armadilha.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Paraguai: Vigília denuncia onda de superfaturamentos e exige a renúncia da ministra de Educação


Protesto à noite em frente ao Ministério
Leonardo Wexell Severo, de Assunção


Com cartazes condenando a onda de superfaturamentos e tochas erguidas para iluminar os descaminhos percorridos pelo governo Cartes, estudantes, pais e professores realizaram na noite de quarta-feira uma vigília em frente ao Ministério da Educação para exigir a imediata renúncia da ministra Marta Lafuente.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Dezenas de milhares de agricultores paraguaios exigem fim do privilégio aos bancos, às transnacionais e ao agronegócio


Pequenos agricultores tomam o centro de Assunção
“Horacio, Horacio, fora do Palácio”, entoaram milhares de manifestantes acampados em frente ao Congresso Nacional do Paraguai exigindo medidas de apoio à agricultura camponesa, familiar e indígena, e o fim do privilégio dado aos bancos e ao agronegócio.

Leonardo Wexell Severo, de Assunção

quinta-feira, 17 de março de 2016

Curuguaty: “cleptocracia oligárquica usa mentira para condenar inocentes”

Livro “Relatos que parecem contos” defende camponeses que são presos políticos no Paraguai

Com uma pormenorizada descrição dos crimes praticados pela “cleptocracia oligárquica” que comanda o Paraguai, “Relatos que parecem contos” (Editora Litocolor, 112 páginas, 2014) repudia o reiterado “uso da mentira para condenar inocentes”, “cujo exemplo mais recente e patético é o de Curuguaty”. Sobreviventes do massacre que matou 17 pessoas, os doze sem-terra de Curuguaty encontram-se há quase quatro anos privados de liberdade, acusados por um crime que não cometeram.

terça-feira, 1 de março de 2016

“Latifúndio dos Riquelme é bunker da atividade delitiva no Paraguai”

Satélite registra em rosa o mar de droga

Afirma Dario Aguayo, advogado dos presos políticos de Curuguaty


Leonardo Wexell Severo

"No Paraguai, o latifúndio Campos Morombi, de Blas Riquelme, pretendeu anexar, com o massacre de Curuguaty, os dois mil hectares das terras públicas de Marina Kué. Tudo para ampliar seu mar de maconha e soja transgênica”, denunciou Dario Aguayo Dominguez, advogado dos camponeses presos políticos do governo de Horacio Cartes. E sublinhou: “em Morombi está localizado um bunker da atividade delitiva”.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Curuguaty: Ministério Público usa mentira como arma

Advogados desmontam invencionices do Ministério Público

Cai no ridículo a manipulação contra camponeses paraguaios.

À medida em que transcorre o processo aberto contra os camponeses de Marina Kue, em Curuguaty, pelo advogado e promotor fiscal Jalil Rachid – atualmente vice-ministro da Segurança do Paraguai - vai ficando mais nítida a instrumentalização do caso como arma do latifúndio contra a desconcentração de terra e de renda.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Testemunho do médico forense inocenta camponeses de Curuguaty

Policiais foram mortos com "armas de grosso calibre", aponta laudo. Armamento pertencia às forças de elite da polícia paraguaia

LEONARDO WEXELL SEVERO, DE ASSUNÇÃO
 
Os seis policiais militares do Grupo Especial de Operações (GEO) que morreram em Marina Kue, Curuguaty, no dia 15 de junho de 2012, foram abatidos com armas de “grosso calibre”, atestou o médico forense Floriano Irala. O testemunho comprova a inocência dos camponeses, pois além da força de elite da GEO, somente policiais do FOPE (Força de Operações da Polícia Especializada) portavam fuzis Galil durante o “confronto” em que também faleceram 11 sem-terra.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Curuguaty: Policiais liquidaram sem-terra e se mataram entre si

Advogado Ricardo Paredes defende imediata libertação dos camponeses, presos políticos do governo Horacio Cartes

Leonardo Wexell Severo, de Assunção

Em esclarecedora entrevista, o advogado Ricardo Carlos Paredes denuncia a grotesca manipulação no julgamento dos camponeses de Curuguaty, presos políticos no Paraguai por reivindicar a posse desta terra pública tomada durante o governo do ditador Alfredo Stroessner (1954-1989). Nesta semana pudemos ver que à medida em que as testemunhas – até mesmo as de acusação - vão depondo, a verdade vai aparecendo. Os policiais foram mortos com armas de grosso calibre manuseadas por seus dois grupos de elite, a FOPE (Força de Operações da Polícia Especializada) e a GEO Grupo Especial de Operações); os “coquetéis molotov” - bombas artesanais - que a mídia tanto utilizou para falar dos camponeses como “criminosos e delinquentes”, não passavam de lampiões de querosene; e as fatais “armadilhas” mata-soldados nada mais eram do que ratoeiras ou “caça-bobos”, no jargão paraguaio. Uma semana depois do “confronto” de 15 de junho de 2012, em que morreram 11 camponeses e seis policiais, o presidente Fernando Lugo foi deposto a toque-de-caixa. A armação caiu como uma luva para os interesses golpistas, freando o processo de reforma agrária. Evidenciada a farsa, cresce a campanha pela libertação dos presos de Curuguaty.
Abaixo, a íntegra da entrevista.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Vídeo mostra luta dos motoristas crucificados no Paraguai

Trabalhadores foram demitidos por tentar criar Sindicato 

Um vídeo sobre a luta dos motoristas da linha 49 de Assunção, que permaneceram quatro meses crucificados em frente ao Ministério do Trabalho do Paraguai no ano passado, começa a ser divulgado nas redes sociais. Após quatro meses embaixo de lonas, expostos às intempéries e a todo tipo de abusos e repressão, o movimento conseguiu o reconhecimento da entidade.

domingo, 10 de janeiro de 2016

“Matança de Curuguaty foi planejada pelos herdeiros políticos de Stroessner"

Na Cúpula Social do Mercosul, advogado Amélio Sisco denuncia “torturas e execuções de camponeses no Paraguai"

Leonardo Wexell Severo e Nicolás Honigesz, de Assunção
“A matança de Curuguaty, onde morreram 17 pessoas, 11 camponeses e seis policiais, foi planejada pelos herdeiros políticos de Alfredo Stroessner. O objetivo das torturas e execuções dos sem-terra era inviabilizar a reforma agrária e a luta dos movimentos sociais no Paraguai”, denunciou o advogado Amélio Sisco, durante a Cúpula Social do Mercosul, realizada recentemente em Assunção.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Massacre de Curuguaty possibilitou assalto das multinacionais ao poder político no Paraguai”


Denuncia o líder camponês Ernesto Benítez
 
Leonardo Wexell Severo e Nicolás Honigesz, de Assunção
 
Dirigente da Coordenadora de Produtos Agropecuários de São Pedro Norte e destacada liderança do movimento camponês do Paraguai, Ernesto Benítez carrega consigo as marcas de quem nunca se rendeu aos poderosos de plantão. Em 7 de setembro de 1995, foi um dos 21 feridos à bala durante ataque da Polícia Nacional contra manifestantes em Santa Rosa del Aguaray. Na oportunidade foi assassinado Pedro Giménez, de apenas 20 anos. “Os policiais me dispararam com uma escopeta e quase perdi a vida. Tiveram que extirpar uma parte do pulmão”, conta. Em 2003, durante protesto com 16 feridos à bala, em que foi assassinado Eulalio Blanco, Benítez foi levado à Delegacia de Santa Rosa, onde foi torturado por militares e policiais. Na sua avaliação, enquanto não houver reforma agrária e o poder dos grandes produtores de soja e das multinacionais continuar intacto, “não haverá justiça no Paraguai”. Para Benítez, este é o grande nó do embate judicial que cerca o julgamento do massacre de Curuguaty: “se os companheiros saírem livres e fica claro que é uma terra pública, o que entrará em pauta são os 10 milhões de hectares grilados que foram parar nas mãos do latifúndio”. “Outra questão fundamental é que foi com o massacre de Curuguaty que se montou o golpe de Estado e o assalto das multinacionais ao poder político”, frisou. O “confronto” entre 324 policiais fortemente armados com fuzis Galil, escudos, bombas de gás lacrimogêneo, cavalos e helicóptero, e 60 camponeses – metade deles mulheres, crianças e idosos - em Marina Kue, Curuguaty, ocorreu no dia 15 de junho de 2012. O presidente Fernando Lugo foi afastado uma semana depois de um “julgamento” relâmpago. Abaixo, a íntegra da entrevista.